Uma creche localizada em Nova Xavantina (a 565 km de Cuiabá), que foi fechada após denúncias de maus-tratos, ainda está sendo investigada pela Polícia Civil. O local teria funcionado, por um tempo, de forma irregular. Durante diligências, a polícia verificou indícios de tortura. As mães e responsáveis das crianças que foram vítimas têm se manifestado nas redes sociais, relatando a violência que as crianças sofreram e cobrando respostas das autoridades.
De acordo com a Polícia Civil, após as denúncias dos pais contra a creche, foi instaurado um procedimento investigativo e foram feitas diligências no local. As apurações iniciais indicaram irregularidades no funcionamento do estabelecimento e motivaram o aprofundamento das apurações. As investigações são conduzidas pelo delegado Flávio Leonardo Santana Silva, que disse que o local estaria funcionando em desacordo com a autorização concedida.
“Também chegou ao nosso conhecimento a decisão do Poder Judiciário determinando a suspensão das atividades, em acolhimento a medidas requeridas em ação civil pública, pelo Ministério Público”, disse o delegado.
Segundo Flávio Santana, diversas mães foram ouvidas e os depoimentos se mostraram convergentes com os outros elementos colhidos, que indicam até possível prática de tortura.
“A partir das diligências já realizadas, da documentação reunida e depoimentos colhidos, verificamos indícios relevantes da prática do crime de maus-tratos e em tese, também, de tortura, além de outras infrações penais que seguem sob apuração”, pontuou o delegado.
De acordo com o jornal A Gazeta, uma mãe afirmou que colocou um gravador na mochila da filha e descobriu que as crianças eram xingadas e que comida e água eram negadas a elas.
Um perfil no Instagram, que teria sido criado pelas mães das crianças, compartilhou uma postagem com o relato de uma mãe. Também publicou uma carta assinada por sete mães, manifestando repúdio pelos fatos ocorridos na creche e indignação com a "postura de pessoas públicas que, segundo informações que chegaram até nós, estariam defendendo ou minimizando a gravidade dos fatos".
A Polícia Civil afirmou que o caso é tratado com prioridade, com oitivas já realizadas e adoção de todas as providências necessárias para o esclarecimento dos fatos, proteção das vítimas e responsabilização dos eventuais envolvidos, dentro da legalidade.
“É importante deixar claro à população que a investigação está em andamento com seriedade e responsabilidade, também com absoluto compromisso com a legalidade. A Polícia Civil trabalha a partir das provas colhidas, com técnica e respeito ao devido processo legal (...). Este caso está sendo tratado com a máxima prioridade e nenhuma informação relevante deixará de ser apurada”, reforçou o delegado Flávio Santana.








