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Bovinos abatidos até 24 meses chegam a 45% e batem recorde em Mato Grosso

Publicado em: 24/07/2026
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Percentual é o maior da série histórica e ocorre em meio ao aumento dos abates de machos e à retenção de fêmeas para recomposição do rebanho.

Mato Grosso está abatendo mais bovinos jovens e reduzindo o tempo de permanência dos animais no ciclo produtivo. No primeiro semestre de 2026, 45% dos bovinos enviados aos frigoríficos tinham até 24 meses de idade, o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2006.

O avanço ocorre enquanto a participação dos animais mais velhos perde espaço. Há 20 anos, bovinos com mais de 36 meses representavam 65% dos abates no estado. Agora, esse grupo corresponde a 22%, conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O cenário acompanha a evolução dos sistemas de produção, com maior uso de genética, nutrição, manejo de pastagens e tecnologias voltadas ao desempenho dos animais. Para o diretor de projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a redução da idade de abate é um dos principais indicadores dessa transformação. “O produtor investiu em tecnologia, melhoramento genético, manejo e nutrição para produzir mais carne em menos tempo”, afirma.

A antecipação do abate permite encurtar o ciclo de produção e acelerar o retorno sobre os recursos investidos na atividade. Também amplia a capacidade de oferta de animais terminados e melhora o aproveitamento da estrutura disponível nas propriedades.

O avanço da participação de animais jovens ocorre em um cenário de crescimento do abate total. De janeiro a junho, 3,65 milhões de bovinos foram enviados ao gancho em Mato Grosso, 3,58% acima do registrado no mesmo período de 2025.

A composição desse volume, porém, mudou. O abate de machos cresceu 13,05%, enquanto o de fêmeas caiu 4,26%. A redução está relacionada à retenção de matrizes, estratégia adotada pelos pecuaristas para ampliar a capacidade de reprodução e recompor o rebanho.

Na prática, a pecuária mato-grossense passa por dois movimentos simultâneos: mais machos chegam ao frigorífico e uma parcela maior dos animais é abatida ainda jovem. A retenção de fêmeas, por outro lado, reduz a oferta imediata de vacas para o abate.

Para o produtor, encurtar o ciclo significa antecipar a receita e melhorar o giro dos recursos investidos na criação. A produção de carne em menos tempo também aumenta a capacidade de utilização da mesma estrutura produtiva ao longo dos anos.

Eficiência ganha peso nas exigências do mercado

A idade menor ao abate também é observada sob a perspectiva ambiental. Como o animal permanece menos tempo no sistema produtivo, há redução do período de consumo de pastagens, água e alimentação até a produção da carne.

Essa relação entre tempo de produção e volume de carne obtido é cada vez mais relevante para os mercados compradores. A eficiência produtiva pode contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa por quilograma de proteína produzida.

“Além dos ganhos econômicos, especialistas apontam que animais abatidos mais jovens também contribuem para uma pecuária mais sustentável”, destaca Andrade.

Fonte: CANAL RURAL

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