O preço do bezerro subiu em Mato Grosso em setembro, mas o dinheiro recebido pelo pecuarista passou a comprar menos milho e farelo de soja. A disparada dos principais insumos utilizados na alimentação animal superou a valorização da reposição e reduziu o poder de compra do produtor.
Até a quarta semana de setembro, o bezerro de ano foi negociado, em média, a R$ 15,95 por quilo, valorização de 1,94% em relação a agosto, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
A alta está relacionada à menor disponibilidade de animais para reposição. O cenário também tem estimulado a retenção de fêmeas para recomposição do rebanho, contribuindo para sustentar os preços da categoria.
O problema para o pecuarista aparece do outro lado da conta. Enquanto o bezerro valorizou 1,94%, o milho ficou 9,82% mais caro no mesmo período. O farelo de soja avançou ainda mais, com alta de 13,17%.
Com os insumos subindo em ritmo muito superior ao da reposição, a relação de troca piorou. Na comparação com agosto, a relação entre bezerro e milho caiu 7,17%, chegando a 69,27 sacas por cabeça.
Isso significa que, considerando os preços médios acompanhados pelo Imea, a venda de um bezerro permitia adquirir o equivalente a 69,27 sacas de milho em setembro, quantidade menor que a registrada no mês anterior.
A perda foi ainda maior na relação com o farelo de soja. O indicador recuou 9,92% e ficou em 1,72 tonelada por cabeça.
Na prática, mesmo recebendo mais pelo bezerro, o pecuarista perdeu poder de compra diante da valorização mais acelerada dos insumos.








